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Da Reportagem
O Edifício Maria Joaquina, o mais antigo condomínio vertical da capital mato-grossense, guarda muitas curiosidades sobre comportamento, costumes e cultura cuiabana entre seus antigos moradores. Localizado na rua Cândido Mariano, ao lado da praça Alencastro (Centro Histórico), o prédio tem 15 andares, 52 amplos apartamentos - quatro por andar -, além de sediar uma agência bancária e duas lojas no térreo.
Inaugurado há 41 anos, em 8 abril de 1969, aniversário da cidade, sua ocupação registrou uma divisão curiosa de seus moradores, por classe social, conforme relatos de pessoas que o habitam desde sua construção.
No lado direito, tratado na época como “lado par”, ficava a cobertura e uma vista privilegiada para o Palácio Alencastro, então sede do governo do Estado, e a antiga casa do governador, onde atualmente funciona o MT-Fomento. Lá moravam as famílias mais ricas e os cidadão mais influentes.
Entre os moradores ilustres figuravam políticos e empresários como José do Prado (Casa Prado), Maria Vieira (Casa Alberto) e Ironildes Araújo, empresário que gozava de amizade junto ao governador do Estado e o presidente da República, em Brasília.
No lado esquerdo, o “pobre”, brincou o bancário aposentado do Banco do Brasil e morador Moacyr da Costa e Silva, 82 anos, viviam pessoas que também se destacam na sociedade, como a pianista Dunga Rodrigues, um dos nomes mais importantes da cultural cuiabana. Essa “segregação” social logo desapareceu e há décadas não se fala nela nem de brincadeira.
Costa e Silva disse que adquiriu um apartamento no edifico antes da conclusão das obras, mas só veio habitá-lo em 1997. Preferiu continuar com a família em uma casa na rua Ferreira Mendes, perto da sede da antiga Assembleia Legislativa, atual Câmara de Vereadores, enquanto o imóvel permanecia alugado.
O apartamento em que mora com a mulher, Maria Felismina de Moura, no lado direito, tem 160 metros divididos em uma ampla sala com espaço para dois ambientes, três quartos, dependência de empregada (que ele transformou em escritório), cozinha, e área de serviços com sacada.
Na ocasião, comprar apartamento no Maria Joaquina se constituía em um dos melhores investimentos, em especial para quem era empresário e dividia o espaço comercial com a moradia da família. Esse era o caso da primeira moradora do edifício, dona Edith Bechtel. Ela comprou o apartamento e foi morar nele um ano antes da inauguração. Proprietária do Hotel Samara, que até hoje funciona na rua Joaquim Murtinho, não suportava mais morar no hotel.
“Me mudei para cá quando o prédio ainda estava em obras”, recordou a empresária. Síndica há quase 20 anos, Edith disse que não trocaria seu apartamento no Maria Joaquina por nenhum imóvel em Cuiabá.
Emidio Campos
Gestor de Segurança
http://segurancadecondominio.blogspot.com
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